A INFLAÇÃO DOS ALIMENTOS IV

Biocombustíveis e alimentos
O desafio brasileiro de conciliar a expansão da indústria de biocombustíveis e o aumento da oferta de alimentos. Vitor tem apetite. O bebê abre o bocão e diverte a mãe. Rita de Cássia Monteiro está feliz. Ela faz parte do grupo de brasileiros que teve aumento de renda e que passou a consumir mais alimentos. Há dois anos, Rita era empregada doméstica e ganhava R$ 800 por mês. Agora é esteticista e recebe R$ 1,3 mil
"Antes era bem o básico mesmo. Eu gastava um valor de R$ 190 mais ou menos. Hoje, mudou, gasto mais ou menos uns R$ 400, R$ 450. Eu compro mais coisas: carne, verdura, legumes". Não vai faltar comida para as Ritas do Brasil. A agropecuária nacional é uma das mais produtivas do mundo.
Nos últimos 25 anos, a colheita de milho cresceu 136% e a de soja 353%. Na última década, a produção de carne bovina subiu 58% e a de frango, 130%. Um economista diz que o Brasil hoje produz 30% mais do que precisa para alimentar sua população. O que sobra vai para o exterior.
“O brasileiro agüenta num ano mal-sucedido de agricultura, porque não chove, porque tem seca, porque você produz com folga para o abastecimento interno”. Da agricultura, ainda sai o biocombustível barato. A venda de álcool acaba de se igualar à de gasolina.
A aposentada Magali Lemos, por exemplo, comprou um carro flex e sentiu a diferença de preço. "Temos aí grandes usinas no Brasil, que não tem como acabar o álcool".
O Brasil tem provado que é possível alcançar ao mesmo tempo dois objetivos que em muitos países são objetivos incompatíveis: aumentar a produção de biocombustível e aumentar também a produção de alimentos. E a principal explicação para isso é a cana-de-açúcar, altamente produtiva. O cientista Rogério Cerqueira Leite, físico da Unicamp, lembra que a cana no Brasil é resultado de quase cinco séculos de  aperfeiçoamento. “A cana é realmente uma graça divina. Os cálculos que fizemos mostram que a cana está já no auge da sua produtividade".
Ela rende quase duas vezes mais álcool por hectare do que o milho americano. E, ao contrário do que muita gente pensa, o Brasil não é um imenso canavial. É o que diz o presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank. “Hoje, a cana pra álcool ocupa apenas 1% das terras agricultáveis do país. Ela é sete vezes menor que a soja e 5% da área de pastagens. A gente sabe que, portanto, esse crescimento poderá ir pra 2%, 3%. Mas não vai passar muito disso".
E a área agrícola pode crescer muito mais, sem pôr a Amazônia em risco. Basta ampliar o confinamento de gado. Um boi no Brasil usa em média um hectare de pasto, um quadrado de 100 por 100 metros. O economista Guilherme Dias manda um recado ao governo e aos pecuaristas.
"O país ganha muito mais se essa área for incorporada no sustento de lavouras do que ficar pros seus boizinhos. E essa é uma decisão interna, política, que você nota claramente que, pelo menos, de 10 anos pra cá os governos bateram nesse problema mas não souberam definir". Outro desafio é manter os preços baixos. O Brasil não está imune à inflação mundial nos alimentos. "O feijão subiu bastante, o óleo, a farinha também subiu bastante, porque o pãozinho está subindo bastante também e o arroz também", diz Rita de Cássia. Com a globalização, os preços internos e externos tendem a se igualar. Mas o Brasil pode contribuir para a queda dos preços mundiais. Ele, que já é o maior exportador de café, suco de laranja, carne bovina, frango e açúcar tem tudo para exportar ainda mais.
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