A INFLAÇÃO DOS ALIMENTOS I

 
Aumenta a demanda por comida
 
A inflação mundial dos alimentos tem sido causada por uma combinação de fatores.Na China, o aumento da demanda por comida nos últimos anos. São centenas de milhões de novos consumidores. Maravilhada, a maior população do planeta se entrega todos os dias a um novo ritual chinês: fazer compras. Multidões são atraídas para os templos do consumo, em busca de sabedoria, elegância e equilíbrio. Os corredores lotados são o retrato de um país que, nos últimos 20 anos, tirou 450 milhões de pessoas da miséria.  Gente que veio do campo para modernizar as cidades, enriquecer e gastar. A primeira preocupação dos novos consumidores é acalmar o estômago e depois presentear o paladar com sabores até então desconhecidos. Na China, qualquer pequeno aumento na porcentagem do consumo representa muita gente. Milhões de novas bocas que estão perguntando pela primeira vez: "Cadê meu pedaço do bife?”
 
Cada garfada é o símbolo da vitória de um país onde, nos anos 60, milhões morreram de fome. Um morador de Pequim explica: "Antigamente, não comíamos carne. Agora, podemos comer o que gostamos mais". Quem produz mais carne tem mais animais para alimentar. Para cada quilo de carne de porco, são necessários três quilos de grãos. A carne bovina exige ainda mais: sete quilos de grãos. E o mundo inteiro paga essa conta.
A fome tem uma cara parecida em lugares bem diferentes. Haiti, Egito e Senegal protestaram nas últimas semanas contra o aumento da comida.
A inflação virou uma dor de cabeça global. A pressão dos preços agrícolas fez os índices saltarem na China, Rússia, Estados Unidos, Argentina, Venezuela e Chile. Na zona do euro, chegou a 3,5%. A inflação pegou até mesmo a inabalável economia suíça. Os grãos deixam o mundo em alerta com as altas recordes do arroz, do milho, da soja e do trigo. Uma parte desse aumento é causada pela natureza, que está cobrando sua conta.
Seca na Austrália, neve na China e ondas de calor no Canadá.
 
Já estamos pagando pela destruição do meio ambiente, num fenômeno que os economistas chamam de precificação. “As condições necessárias para um desenvolvimento mais sustentável exigem que a gente comece a precificar muitos bens que sempre foram considerados bens públicos, gratuitos, mas que têm um custo e tem que ter um preço”, explica Sérgio Besserman, economista do Instituto Pereira Passos.Se o que era de graça já tem preço, o que era caro ficou ainda mais. A alta do petróleo também chega até a mesa, faz subir o preço de fertilizantes, do transporte e das máquinas agrícolas. A resposta é plantar para fazer biocombustíveis, que ajudam o meio ambiente, mas causam impacto na produção de alimentos. Parece um prato cheio de notícias ruins, mas é possível temperar tudo isso com um olhar otimista. "Você tem uma confluência de demandas diferentes impulsionando esse preço, mas isso também não vai durar para sempre. Preços altos são o maior estímulo para o preço da produção”, disse Salomão Quadros, economista da FGV.
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