DENGUE

 
Cientistas explicam infecção do vírus da dengue
 
Imagem mostra como o vírus muda através da célula hospedeira
 
Biólogos descobriram como o vírus da dengue se torna mortal, explicando transformações estruturais que ocorrem no interior das células afetadas. Em dois artigos publicados nesta sexta-feira (28/03/08) na revista científica Science, eles analisam como uma proteína que recobre o genoma do vírus passa por transformações que levam ao amadurecimento do vírus. "Esta é possivelmente a compreensão mais detalhada de como um vírus amadurece", disse um dos autores do estudo, o professor Michael Rossmann, da Universidade Purdue, em Indiana, Estados Unidos. Esta descoberta poderia ajudar os pesquisadores a desenvolver um tratamento antiviral para a dengue, que afeta mais de 50 milhões de pessoas no mundo – entre casos manifestados e não-manifestados – e mata cerca de 24 mil a cada ano.

Transformação

Segundo os pesquisadores, o estudo se aplica não apenas ao vírus da dengue, mas a todos os chamados flavivírus, que são carregados por mosquitos e causam doenças como a febre do Nilo Ocidental, encefalite e febre amarela. A pesquisa detalha o que acontece quando esses vírus infectam uma célula. Uma vez no interior dela, o vírus ainda não amadurecido é incapaz de se fundir com as membranas de uma célula, e assim infectá-la. O amadurecimento, que dá ao vírus a capacidade de infectar outras células, ocorre à medida que ele se move do interior da célula hospedeira para uma outra, que será infectada. Os cientistas descobriram que ao longo deste caminho o vírus é submetido a uma mudança de acidez que resulta na divisão de um composto de proteínas que recobre o genoma do vírus, pouco antes de ele ser transmitido de uma célula para outra. "Esta mudança de acidez já era conhecida, mas seu impacto no processo de amadurecimento não era conhecido até estas descobertas", disse Rossmann. Ele disse que mais pesquisas são necessárias para "compreender melhor esta estrutura (de proteínas)", a fim de esclarecer os mecanismos que evitam que a forma imatura de um vírus não infecte outras células. "Em última instância, os pesquisadores podem querer encontrar maneiras de tratar ou prevenir infecções virais. Mas para isso temos antes de saber como os vírus funcionam, como amadurecem e como dão início a uma infecção", disse Rossmann.

Cientistas brasileiros pesquisam ‘inseticida anti-dengue’

Cientistas da Universidade do Sul de Santa Catarina e da Universidade Federal de Pernambuco estão trabalhando no desenvolvimento de um inseticida que mata as larvas do mosquito Aedes aegypti, que transmite a dengue.

Inseticida será colocado em cápsulas biodegradáveis

"Nossa idéia é desenvolver um larvicida barato e viável para a população", afirmou a coordenadora das pesquisas da Unisul, Onilda Silva. A bióloga explica que os inseticidas disponíveis ou são importados e, portanto, têm um custo muito alto ou são muito tóxicos e acabam afetando outras espécies. "Já fizemos extensivos testes e os extratos das plantas matam as larvas, mas ainda temos muita coisa a fazer (até a aprovação)", disse Onilda.

Se os testes previstos forem bem-sucedidos, o inseticida será submetido à aprovação do Ministério da Saúde no final de 2008 e, no caso de ser aprovado, poderá ser comercializado no início de 2009. Os pesquisadores estão estudando a combinação de doses de duas substâncias naturais – a andiroba e o cinamomo – com uma terceira substância produzida sinteticamente a partir de componentes naturais, que ainda está sendo desenvolvida pela equipe da Federal de Pernambuco.Segundo Onilda, a combinação das substâncias aumentaria a eficácia do inseticida em relação aos que são feitos à base de um único componente. "(Nos inseticistas de uma só substância), é muito fácil para o organismo do mosquito adquirir resistência. Quando você tem uma associação de vários componentes químicos, os insetos apresentam lento processo de desenvolvimento de resistência."

A pesquisadora ressalta ainda que todas as substâncias usadas na fórmula têm baixíssima ou nenhuma toxicidade para seres humanos. A andiroba, por exemplo, é usada em cosméticos mundialmente. As substâncias seriam injetadas em cápsulas biodegradáveis, o que atende às preocupações em relação ao meio ambiente – uma tendência dos novos inseticidas, segundo Onilda.  "A moda é trabalhar com componentes naturais. O mundo inteiro está se voltando para isso e a gente (o Brasil) tem muito recurso natural disponível." O projeto destacado pela agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) conta com com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Santa Catarina (Fapesc).

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou 438.949 casos de dengue nos de janeiro a julho de 2007, um aumento de 45% em relação ao mesmo período de 2006".

Aumento de casos de dengue preocupa cardiologistas

Os riscos da dengue hemorrágica para o coração e especialmente para as pessoas que já sofrem de problemas cardíacos entraram, pela primeira vez, na pauta do 62º Congresso Brasileiro de Cardiologia, que teve início nesta sexta-feira em São Paulo.

Médicos temem que uso de anticoagulantes possa agravar dengue hemorrágica

A maior preocupação dos cardiologistas diz respeito às pessoas que sofrem de problemas cardíacos e tomam medicamentos anticoagulantes e antiagregantes para controlá-los. Essas substâncias, que tornam o sangue “mais fino”, poderiam agravar a hemorragia causada pela doença. “À medida que as pessoas vão ficando mais acometidas, entre elas há pessoas cardíacas que tomam anticoagulantes e que podem na vigência da dengue hemorrágica ter o vírus agravado”, afirma o diretor-científico do Congresso, Dário Sobral.“Temos muito pacientes tomando aspirinas (ácido acetilsalicílico), pelo caráter preventivo, porque diminui o risco (de tromboses) para pessoas com doenças vasculares, e coronárias principalmente”, explica Sobral. “Mas no caso da dengue hemorrágica (a aspirina) pode agravar a hemorragia, e criar um quadro com muito mais risco, às vezes com risco de vida.” Outro medicamento bastante usado por pacientes cardíacos que poderiam agravar a hemorragia é o clopidogrel, "três vezes mais forte do que a aspirina", segundo Sobral. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou 438.949 casos de dengue nos sete primeiros meses deste ano, "o que representa aumento de 45,13% em relação ao mesmo período de 2006".

Sintomas

A dengue é uma doença febril aguda causada por um vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, que se desenvolve em áreas tropicais e subtropicais. Os sintomas mais comuns, que costumam aparecer três dias após a picada, são febre, dor de cabeça, no corpo, nas articulações e por trás dos olhos. A dengue hemorrágica é a forma mais severa da doença porque além dos sintomas da dengue clássica, pode causar sangramento, e, em casos mais graves, levar à morte. Segundo o diretor científico do Congresso, a recomendação de suspender anticoagulantes tem base empírica, mas o objetivo das discussões dos próximos dias é justamente estabelecer uma rotina para que os médicos saibam como orientar os seus pacientes em caso de suspeita de dengue. “Agora não existe estabelecida uma rotina, quando deve iniciar (a suspensão de anticoagulantes), quando deve parar.”

Mais acostumados com a doença, os cardiologistas das regiões Norte e Nordeste já determinam a suspensão dos anticoagulantes quando há suspeita “clínica” de dengue, mas, segundo Sobral, a orientação nem sempre é seguida pelos seus colegas do Sul e do Sudeste, menos “familiarizados” com a doença. O maior aumento dos casos ocorre justamente no Sudeste, especialmente no Rio de Janeiro, onde foram notificados mais de 30 mil casos este ano. Para Sobral, a recomendação deve ser feita aos pacientes ainda na fase da suspeita clínica – sintomas como dor de cabeça acompanhada de febre – já que o diagnóstico laboratorial pode levar dez dias para sair.

Mesmo pessoas que não sofrem de problemas cardíacos deveriam, segundo ele, suspender os anticoagulantes em caso de suspeita de febre hemorrágica. “Se a dor de cabeça for acompanhada de febre, atualmente com essa epidemia, tem de pensar em dengue e procurar alternativas com outros analgésicos, como dipirona e paracetamol”, recomenda Dário Sobral. Além dos riscos da dengue hemorrágica para pacientes cardíacos, os cardiologistas deverão discutir os perigos da doença para o coração. Segundo Sobral, já foram observados casos “isolados” de miocardite (inflamação do miocárdio) e arritmia cardíaca desenvolvidos em decorrência da dengue.

Dengue é ‘maldição da urbanização’, diz jornal suíço

O Rio de Janeiro vive atualmente uma epidemia de dengue

A dengue tem se tornado cada vez mais letal graças à globalização, diz o jornal suíço Der Bund, que chama a doença de “maldição da urbanização”. A “globalização e o conseqüente aumento na mobilidade de pessoas beneficia a propagação da doença pelo mundo e também o cruzamento das quatro variantes do vírus, o que tem tornado a dengue cada vez mais letal”, diz o jornal.

O jornal diz que a doença hoje é a mais transmitida por mosquitos nos mundo e que “a epidemia atual no Rio de Janeiro deixa isso bem claro: os mosquitos transmissores vivem no meio da cidade”.  “Ao contrário do mosquito da malária, o da dengue vive nas cidades. Para botar seus ovos, basta uma pequena quantidade de água, geralmente em poças, baldes, pneus ou outros recipientes em lixões”.  Esses “criadouros” de mosquitos são encontrados, segundo o jornal, “em particular nos bairros mais pobres, com fornecimento de água e tratamento de lixo precários”.

"Aumento notável"

Especialistas ouvidos pelo diário dizem que “houve um notável aumento, nos últimos 30 anos, do espaço vital que o mosquito transmissor da dengue, o Aedis aegypti, necessita para sobreviver”. “Toda semana recebemos relatos de cinco ou seis epidemias de dengue de algum canto do mundo”, diz ao jornal Johannes Blum, especialistas do Instituto Tropical Suíço. Blum diz que o uso de inseticida, uma das medidas tomadas pelas autoridades no Rio para lidar com a epidemia, geralmente só é adotado “em caso de emergência, como em uma grande epidemia que não pode ser controlada de outro jeito”.

Dengue ‘sem controle’ expõe frouxidão da saúde no Rio, diz Economist

A revista britânica The Economist publica em sua nova edição uma reportagem sobre os casos de dengue no Rio de Janeiro, onde, segundo a revista, o mosquito e a doença se alastram "sem controle" por causa da lentidão das autoridades em enfrentar uma ameaça conhecida há pelo menos um ano.
Para revista, vitória contra mosquito foi declarada antes do tempo

A publicação lembra que, até 1980, a dengue era relativamente rara na América Latina e a versão hemorrágica potencialmente fatal ainda menos freqüente porque autoridades de saúde haviam praticamente eliminado o mosquito Aedes aegypti, que transmite tanto a dengue como a febre amarela. "Mas a vitória foi declarada prematuramente: o compromisso e os recursos desapareceram, enquanto as cidades continuaram a crescer", diz a Economist. A revista lembra que há um ano "especialistas do ministro da Saúde para baixo" já admitiam o risco de a dengue sair de controle, mas que, desde então, teriam se perdido em um debate vazio sobre se o mosquito da dengue, e portanto a responsabilidade sobre o seu controle, é "municipal, estadual ou federal". A Economist diz que a gravidade da crise só foi reconhecida no dia 24 de março, quando, com o número de vítimas subindo, "autoridades nacionais e locais convocaram um gabinete de crise". "Infelizmente, retórica inflamada e burocracia interminável não são sintomas novos da política do corpo-a-corpo brasileira", avalia a revista. "Será preciso mais do que isso para esmagar o mosquito."

Dengue ultrapassa a marca de 30 mil vítimas só na cidade do Rio

Somente em 2008, 31 pessoas morreram por causa da doença. Ao todo, 1.2 mil militares vão ajudar no tratamento de vítimas da dengue.

A Secretaria municipal de Saúde informou na noite desta sexta-feira (28) que subiu para 31.288 o número de casos notificados de dengue na cidade do Rio de Janeiro. Somente em 2008, 31 pessoas morreram por causa da doença no município. Para ajudar no tratamento de emergências dos pacientes, os hospitais de campanha das Forças Armadas devem funcionar dia e noite a partir de segunda-feira (31).

Profissionais da saúde fazem passeata contra dengue

Cerca de 200 pessoas saíram em passeata contra a dengue pela Avenida Rio Branco, no Centro do Rio, e pararam em frente ao prédio da Secretaria estadual de Saúde, na Rua México. Os manifestantes carregavam faixas de protesto, na altura da Central do Brasil.  A passeata foi organizada pelo Sind-Saúde RJ. (Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo)

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