VERDE QUE TE QUERO VER II

 
A madeira que sai da Amazônia
 

Setecentas árvores cortadas por hora. Essa é a velocidade da devastação na Floresta Amazônica. São quase 17 mil árvores por dia, mais de 6 milhões em um ano. Em menos de um século a rota das serrarias passou por Santa Catarina e Paraná. Nos anos 60 subiu pelo Espírito Santo e Bahia e o hoje quase tudo o que resta de floresta nativa no Brasil se concentra nesta região. A exploração intensa e destrutiva da Floresta Amazônica é um fenômeno recente. Começou há 30 anos. Antes, a floresta era praticamente toda uma mata virgem e cheia de vida. Até 1975 a floresta havia perdido apenas 0,5% de sua área. De lá pra cá, no entanto, a destruição acontece num ritmo impressionante; 18% já viraram pasto. “A madeira em si não destrói, mas cria estradas, cria infra-estruturas, empobrece a floresta e a floresta após a retirada sucessiva de madeira acaba ficando tão pobre que o destino é virar uma área de pasto”, diz Adalberto Veríssimo, pesquisador do Imazon.

É uma destruição feita por brasileiros para brasileiros. Apenas um terço da madeira é exportada. O resto fica aqui mesmo. Só o estado de São Paulo consome 1 milhão de árvores por ano. A matéria-prima é nobre, o destino não. Vão para telhados, 42%; 28% para andaimes e forros de concreto na construção civil. A maior parte é usada uma só vez e vira entulho. Aço e materiais sintéticos são alternativas ainda pouco usadas. “É possível substituir, temos muitas opções hoje. A madeira tem que ser tratada e usada na construção de uma maneira mais nobre”, acredita o engenheiro civil Maurício Bianchi. Cada prédio de 15 andares com quatro apartamentos por andar erguido na cidade exige o corte de 90 árvores na floresta.

Fim de tarde. O movimento é intenso na estrada no Sul do Pará. Ela corta a cidade de Tailândia, um centro de exploração de madeira que concentra 53 serrarias. A ilegalidade é evidente. Caminhões sem placa e até sem cabine transportam toras que vêm de áreas de preservação.

Repórter: Você não tem licença nem do caminhão, nem da madeira, nem de nada.
Caminhoneiro: Não senhor. Se tem não estou sabendo.

Apenas 15 % das árvores da Amazônia são tiradas sem destruir a floresta. A fazenda é uma das poucas que têm autorização do Ibama. Lá, as espécies em extinção, as árvores frutíferas e as que ainda estão crescendo são poupadas. A área vai começar a ser explorada racionalmente. O angelim vermelho será derrubado. Depois que árvores forem retiradas, a floresta entra num longo período de descanso e crescimento que dura 25 anos. Aí então, o louro terá o dobro do tamanho e estará no ponto de ser cortado. E assim vai. Mais 25 anos de descanso e chegará a vez do pequeno matamatá. Em 50 anos, esta árvore será grande e estará preservada. A madeira sai de lá com uma espécie de carteira de identidade. Um certificado internacional que garante que não houve danos permanentes à natureza. Tudo é fiscalizado. O corte, o preparo, a venda nos depósitos. Ao exigir o certificado, o consumidor pode interferir no que acontece na floresta. “Na hora que ele vai comprar sua mesa, sua cadeira numa loja, ele tem que ter a garantia de que a madeira veio de uma área bem manejada, uma área que a floresta vai continuar em pé”, diz o engenheiro floresta Leonardo Sobral.

Pesquisadores calcularam: a exploração racional de 20% da Amazônia é suficiente para atender o mercado interno e ainda exportar. Do contrário, em 40, 50 anos, mais da metade da Floresta Amazônica terá desaparecido.

Anúncios
Esse post foi publicado em Flora. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s