AGROTÓXICO IV

 

CRIANÇAS NA LUTA CONTRA OS AGROTÓXICOS

Tudo o que sabe sobre o plantio de arroz, Juvenil aprendeu com pai. O resto ele tenta descobrir sozinho num canto de terreno. Sem ajuda técnica, ele colhe mais fracassos do que vitórias. Nas propriedades vizinhas, tem sido a mesma coisa há décadas. Por onde se anda em São José de Ubá, dá para perceber as marcas de 60 anos de uso inadequado da terra. De um lado, a erosão. Em cima dos morros, o pasto substituiu a Mata Atlântica. E na lavoura a falta de conhecimento, aumentou o nível de veneno. Aqui os agricultores chegam a utilizar duas vezes mais agrotóxicos do que seria necessário. No passado eles aprenderam com os pioneiros que começaram a plantar, foram aprendendo de um para outro, depois foram surgindo novos remédios”, diz o engenheiro agrícola Luiz Antônio Maziero.

As marcas do excesso estão espalhadas pelo campo. Embalagens de agrotóxicos tão perigosos que já foram retirados das lojas. Os agricultores do passado largaram tudo na mata há mais de dez anos. As lavouras de hoje, para acabar com as pragas, que vão levando embora a produção, cada um vai fazendo o que acha melhor. O desequilíbrio ambiental é tão grande, que o principal rio da cidade secou. O povo agora bebe água de outro rio, que fica a 35 km de distância. Mas como mudar o comportamento de quem repete os mesmos erros há vários anos? Com a ajuda de especialistas em solos da Embrapa, os professores incluíram no currículo escolar a necessidade de mudança nas atitudes de todos. Respeitar a terra que dá o sustento, evitar o contato direto com o veneno, devolver limpas as embalagens de agrotóxicos, ouvido de gente adulta às vezes custa a entender. “Parece que são surdos, não ouvem a gente. Para eles a opinião deles é que prevalece e ponto final”, comenta uma das crianças.

Os filhos de Juvenil também avisam: é preciso aprender a usar o agrotóxico antes de trazer a novidade para a plantação. Ele sempre limpou apenas com a enxada a lavoura de arroz. O herbicida que mata a erva daninha daria a ele mais quatro horas por dia junto com a família. A decisão de usar ou não o veneno depende só do que ele vai aprender com os técnicos que agora estão visitando a região. “Se não prejudicar o meio ambiente assim, prefiro continuar na tradição”, diz Juvenil. O Ministério da Agricultura lembra que as embalagens de agrotóxicos devem ser devolvidas aos locais de venda ou, em algumas regiões, ao posto de recolhimento – indicado na nota fiscal do produto.

 

 
 
 
Anúncios
Esse post foi publicado em Denúncia. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s