CRÉDITO DE CARBONO

Crédito de carbono: um bom negócio para investidores e para o planeta

Nos últimos tempos, uma expressão nova passou a aparecer no meio do noticiário sobre meio ambiente, poluição e o aquecimento do planeta: crédito de carbono.

Debaixo da grama, 35 milhões de toneladas de restos da metrópole. O lixo do Aterro Bandeirantes encheria 14 maracanãs. Desativado em março, vai fermentar até 2037, gerando metano, o segundo gás mais prejudicial para o clima. Mas, no Aterro Bandeirantes o metano vira eletricidade para 400 mil pessoas.

Quando o gás do lixo é capturado por uma tubulação e viaja até uma usina para virar energia elétrica, ele deixa de ser jogado na atmosfera. Deixa de contribuir para o efeito estufa e para o aquecimento global da Terra.

Em compensação, a prefeitura de São Paulo, que é dona do aterro sanitário, e as empresas que fazem este trabalho em parceria com ela, conseguem créditos de carbono. Uma espécie de cheque ao portador, que vale dinheiro vivo.

A regra é do Protocolo de Kyoto. Os Estados Unidos ficaram de fora. Mas, na Europa e no Japão, empresas podem comprar esses créditos para cumprir até 20% da despoluição prevista pelo tratado.

Instituições financeiras também negociam os certificados como se fossem ações. Foi o que aconteceu, na Bolsa de Mercadorias e Futuros. No total, 808 mil créditos de carbono do Aterro Bandeirantes foram arrematados por um banco holandês, por R$ 34,5 milhões.

"Todo recurso arrecadado com este leilão será revertido à população, que durante anos teve que conviver com o aterro", garantiu o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

O bairro ganha. O planeta agradece. “Se isso não estivesse sendo feito, você ainda teria esta emissão. Ainda que não tenha um impacto ambiental local importante, tem no aspecto global”, disse o diretor da Biogás, Manoel Avelino.

Segundo o consultor ambiental Marco Antônio Fujihara, os créditos são um estímulo à ecologia, porque traduzem os esforços de despoluição em dinheiro.

“A redução que a gente fizer no Brasil pode ser compensada em qualquer outra parte do mundo. O planeta é único, o efeito estufa é uma coisa só", destacou o consultor ambiental.

Envolver o mercado na luta ambiental é bom, diz o ecologista Marcelo Furtado. Mas não substitui aquilo que só o Estado pode fazer.

“Acabar com o desmatamento da Amazônia, e dar ao cidadão condição de se desenvolver, comer, andar, sem poluir”, disse o diretor do Greenpeace, Marcelo Furtado.

Empresa de ecologia criada por brasileiro vale US$ 1 bilhão
Ecosecurities é especializada em desenvolver projetos de créditos de carbono. Costa já vendeu parte de suas ações e ainda tem 10% da companhia.

A luta contra o aquecimento global abriu um novo campo de trabalho e negócios mundo afora. Meio empreendedores, meio ambientalistas, os pioneiros que apostaram há tempos em negócios verdes – comércio de carbono, energias renováveis e tecnologias limpas – hoje colhem os frutos milionários dessa decisão.

Ninguém retrata tão bem esse universo como o engenheiro agrônomo Pedro Moura Costa, que organizou na semana passada o Rio+15, encontro internacional para discutir as realizações na área ambiental 15 anos depois da Eco 92.

Apaixonado por guitarra e blues, o carioca Costa deixou há 20 anos a rotina de praia e estudos no Rio para correr mundo e se dedicar a questões ambientais.

Radicado em Londres, Costa criou há dez anos a Ecosecurities, empresa especializada em desenvolver projetos de créditos de carbono – um bônus concedido a quem reduz as emissões e que pode ser vendido para empresas poluidoras, seguindo as regras do Protocolo de Kyoto.

Hoje, a Ecosecurities é a maior empresa de créditos de carbono do mundo e vale mais de US$ 1 bilhão na Bolsa de Londres. Costa já vendeu parte de suas ações e ainda tem 10% da companhia. Ele prefere não falar sobre o quanto lucrou. "Mais que qualquer coisa, sou um ‘ecoempreendedor’", responde.

Crédito de carbono pode render US$ 1,2 bi ao país
Cálculo feito pelo BNDES leva em conta redução de 60 milhões de toneladas por ano. Brasil é 3º maior país em número de projetos do setor.

O Brasil tem potencial para movimentar US$ 1,2 bilhão em créditos de carbono em 2012, segundo cálculo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A estimativa foi baseada em dados do Núcleo de Assuntos Estratégicos, da Presidência da República, e leva em conta redução de emissão de CO2 de até 60 milhões de toneladas por ano, que serão comprados na forma de créditos por países poluidores por entre US$ 10 e US$ 20 a tonelada.

Até o início de maio, o Brasil era o terceiro maior país em número de projetos que permitem a negociação de créditos de carbono, registrados no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). São 222 empreendimentos, ante 636 da Índia e 483 da China. O MDL é o instrumento da ONU que permite aos países em desenvolvimento gerar créditos de carbono por meio de projetos que reduzem a emissão de gases poluentes. Os países mais poluidores, por sua vez, adquirem esses créditos de acordo com metas pré-fixadas.

O BNDES vai apoiar os projetos de crédito de carbono por meio do Programa BNDES de Desenvolvimento Limpo. Segundo o gerente do departamento de meio ambiente do banco, Márcio Macedo Costa, trata-se de um fundo que terá aporte de R$ 200 milhões da instituição, ou 40% da reserva total de R$ 500 milhões. Os 60% restantes virão de outras instituições financeiras. O gestor do fundo já está em processo de escolha.

O trabalho do BNDES, agora, é mapear todos os projetos que foram financiados pelo banco e que têm potencial para gerar créditos de carbono. Até o momento, Costa disse que não houve nenhum empreendimento apoiado pelo banco cuja origem era a redução de emissão de gases poluentes.

Focos rentáveis:

Além dos projetos que permitem a geração de créditos de carbono, o BNDES considera que outros dois setores vão oferecer projetos rentáveis. O primeiro é o de biocombustíveis, no qual o Brasil liderou a produção com 278 mil barris em 2005.

Outro foco do BNDES é o de eficiência energética. Nesse segmento, o banco destaca que a indústria brasileira aumentou o índice de autoprodução de energia de 5,7% do consumo final, em 1994, para 10,6%, em 2005.

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