AMAZONALIDADES

Comparação da área da Europa Ocidental com a da Amazônia

Internacionalização da Amazônia

A internacionalização da Amazônia é um assunto recorrente que acendeu seus primeiros sinais em remotos tempos da história.  O primeiro ato concreto voltado para estabelecer um domínio estrangeiro sobre a região foi assinado entre Portugal e Espanha que originou o Tratado de Tordesilhas, um documento tão abominável que recebeu o apelido de Testamento de Adão.  A substituição pelo Tratado de Madri apenas ampliou o domínio português para o oeste amazônico sem mudar o espúrio conteúdo.

Esse território expandido de dominação da Amazônia ficou subjugado ao poderoso Marques de Pombal que mandou para cá seu irmão com o objetivo de encontrar meios de recompensar o tesouro português pelas despesas com a colonização das terras longínquas.  Apenas como curiosidade, devo dizer que essa atitude tinha inspiração no Canto II dos Lusíadas, de Camões, onde se encontra a justificativa para o dominado pagar pela dominação.

Arquipélago Mariuá, um dos maiores do mundo

 

A segunda ação

A segunda tentativa importante foi feita pelos ingleses com o modelo de exploração da borracha imposto ao governo do Brasil que até permitiu o deslocamento de nordestinos para transformá-los em seringueiros, cuja situação de horror social foi descrita por Euclides da Cunha.

Posteriormente veio a criação do Iiha (Instituto Internacional da Hiléia Amazônica), um organismo internacional patrocinado pela ONU, festivamente recebido pelo poder central do Brasil, mas repudiado pela população, pela imprensa, pelas forças armadas e pelo parlamento.  Graças às manifestações das forças sociais, Getúlio Vargas recuou e, para apaziguar os ânimos criou o Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) inserindo em suas finalidade o cuidado com a “soberania nacional”, uma missão impossível de ser executada por instituição de pesquisa.

Tabatinga – Região da selva Amazônica onde se realiza a Operação Timbó

As intenções continuaram

Uma outra tentativa foi feita pelos Estados Unidos através do projeto do grande lago amazônico desenhado pelo pesquisador e futurólogo Hermann Kahn do Hudson Institute.  Essa investida previa a construção de um imenso lago que inundaria enorme área da Amazônia, extinguindo para sempre um número incalculável de organismos da nossa biodiversidade e seus estoques genéticos, mas estabelecendo um impedimento físico para a exploração dos recursos minerais que ficariam reservados para o mercado futuro.

 

Mata alagada no Parque Nacional do Jaú (AM)

Cachoeira da Pancada No Parque Nacional do Jaú (AM)

As novas invasões

Como as tentativas isoladas acabam sendo facilmente identificadas e repudiadas pela parte (pequena?)  Da sociedade que ainda cultiva sentimentos nobres de patriotismo, dignidade e respeito à soberania, o mundo atual investe de várias formas, quase todas subliminares e imperceptíveis, douradas com ilusórias promessas de nova era de fausto.

A internacionalização, hoje, é facilmente identificada quando vem de forma clara e transparente, mas muito difícil de identificar quando está escondida atrás de ações pouco nobres, mas revestidas de falsos atrativos.
A outra forma – planetarização – recebeu de Samuel Benchimol um alerta e um conceito que precisa ser retomado e atualizado, pois a cobiça internacional de hoje é diferente daquela descrita por Arthur Reis e por Samuel Benchimol.  A planetarização hoje, recebeu o nome de “governança mundial” o que modifica a aparência sem mudar a intenção de consolidar um condomínio internacional para gerir os ecossistemas amazônicos por conta da incapacidade dos brasileiros de preservar esse imenso reservatório de vida natural.

É preciso estar muito atento porque os sinais de hoje não são facilmente percebidos até porque eles vêm policromizados com tintas de benefícios aparentes, quase irrecusáveis, difíceis de serem repudiados por algum contestador sem o risco dele se aproximar do limite da execração pública e mesmo (pasmem) da segurança pessoal.  Leis aprovadas pelos parlamentos, atos executivos, tudo, direta ou indiretamente favorece esse novo modelo de dominação da Amazônia chamado de “governança mundial”.  

A meu juízo um exemplo emblemático dessa investida invasiva é a indiscriminada e pouco objetiva criação de Áreas de Proteção Ambiental (absolutamente desprotegidas), em suas várias formas legais que constituem, no final das contas, uma reserva de território para a grande organização supranacional que está sendo construída para gerir os recursos naturais e os ecossistemas amazônicos.

Por aqui, a ameaça também está por conta da venda de créditos de carbono que recebeu a adesão entusiástica do governador Eduardo Braga e de seus assessores ambientais.  Neste artigo onde não há lugar para argumentação científica só posso dizer que o comércio de carbono configura nova forma para internacionalizar a Amazônia e que comercializar bens que não foram criados para receber valoração econômica pode até constituir um mercado legal, mas com certeza, não tem suporte ético ambiental.

Esta matéria foi  elaborada sob a coordenação do professor da UEA e ex-diretor do Inpa Ozório Fonseca, em 29/07/2007. 

Fonte: Jornal do Commercio

Pico da Neblina, ponto mais alto do Brasil, com 3.014 metros

 

 

 

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