RIO SÃO FRANCISCO IV

 
ENERGIA QUE VEM DO SÃO FRANCISCO
 

 
Três Marias, Minas, é a primeira das nove hidrelétricas. A última é Xingó, entre Alagoas e Sergipe. As águas do São Francisco contribuem com 17% para a produção de energia no Brasil. ”A energia é uma das utilidades da água do rio, que é uma utilidade inclusive interessante porque nós não gastamos água, nós aproveitamos a água que passa”, diz José Ailton Lima, diretor da Chesf. Com as hidrelétricas, muitos sertanejo foram obrigados a abandonar suas terras. O sertão virou mar. Só o lago de Sobradinho se espalha por 350 quilômetros. Oito cidades foram inundadas e reconstruídas em outro lugar. Cerca de 100 mil pessoas foram transferidas. Mas começa nas belas cachoeiras de Paulo Afonso a história da energia hidráulica no Nordeste. No início do século passado, o industrial Delmiro Gouveia, conseguiu produzir eletricidade para alimentar sua fábrica, aproveitando apenas a força da queda d´água. "O papel da água no processo de geração de energia é só de força mecânica, é só impulsionar o eixo, fazer o eixo girar", explica João Lamartine Matos, engenheiro.

Um eixo grosso de ferro que pesa quase uma tonelada e meia. Ele fica abaixo do nível da represa.  A gente não vê, mas é a água que despenca em tubos que faz tudo girar em alta velocidade. Estamos no coração de uma turbina. Entre as usinas de Sobradinho e Xingó estão em operação 42 turbinas transformando a água do São Francisco em eletricidade. E dessas turbinas dependem 50 milhões de pessoas, quase todas as cidades do Nordeste, incluindo oito capitais. São 18 mil quilômetros de redes de transmissão. O emaranhado de fios e cabos, em linha reta, cruzariam o Oceano Atlântico duas vezes. O agricultor Manoel Ferreira, mora perto do rio e vê a energia passar por dentro de sua roça, a poucos metros de casa. Mas não tem dinheiro para mandar fazer a instalação. "Me pediram R$ 13 mil para trazer energia aqui para casa, tão pertinho. Esse dinheiro eu não ganho num ano", conta ele.

A mãe de Manoel, a aposentada Isabel Ferreira, vive sonhando em poder um dia acender uma lâmpada. “No dia que chegar vai ser uma alegria na minha vida. Chega pulo de alegria”, fala ela. Levar luz elétrica para as casas é responsabilidade das empresas concessionárias. As usinas da Chesf, Companhia Hidrelétrica do São Francisco, são responsáveis pela produção e geração. De acordo com a mais recente pesquisa do IBGE, por amostragem de domicílio, 3% das residências brasileiras ainda não têm energia elétrica. Mais de 1,5 milhão famílias como a de Zé Clementino, que mora a 30 quilômetros do São Francisco, ainda vivem no tempo do candeeiro a querosene. É com sacrifício e força de vontade que os moradores do vilarejo de Baraúnas enfrentam a tristeza do escuro. As aulas noturnas dependem da luz do lampião. “Muitas vezes eles têm que terminar a tarefa em casa porque não dá para ver direito no quadro", lembra Elizoneide da Silva, professora.

Para a aposentada Otília Teixeira e Nicolau, viver sem energia elétrica é como não enxergar. Também na roça, luz, geladeira, televisão, são equipamentos importantes e ajudam a quebrar a monotonia. "Antes era uma tristeza. A gente não via nada, não sabia de nada. E hoje a gente está vendo, está conhecendo, tem mais contentamento pela vida não é não?”, fala Otília. Para produzir energia, o homem não só alterou o curso natural do São Francisco, como também controla suas águas. Depende da barragem de sobradinho, mais de 90% do sistema elétrico do Nordeste. É que a vasão liberada lá, alimenta as outras usinas, rio abaixo. "Independente dos próximos períodos chuvosos, nós podemos garantir que nos próximos dois anos nós teremos água suficiente para suprir o Nordeste de energia elétrica", avalia Paulo Vieira, gerente da usina de Sobradinho. Hoje, o reservatório de Sobradinho está cheio, mas em 2001 ele secou, chegou a 5% do volume normal e o São Francisco, por pouco, não parou de fornecer energia.

 

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